sábado, 31 de maio de 2008

Ela no ponto

Todos os dias, passo e a vejo. Com seu compenetrado olhar sempre mirando o horizonte. Sempre com o olhar à espera de algo. Algo que nem imagino o que seja. Mas ela está sempre lá...
Sempre cisuda e enternecida ao mesmo tempo. Tão jovial, tão verdadeiramente interessada em algo que não sei o que é.
Todos os dias, no mesmo horário, quando volto da caminhada está ela lá.
Recostada. Cara de poucos amigos. E olhar no horizonte...
E, de repentemente, seu olhar se supreende, posso então satisfazer minha curiosidade.
Tudo que ela sempre quis, e que ela sempre espera acaba de chegar: o transporte coletivo que a conduzirá a algum canto que não posso imaginar. Pois bem, já deveria ter suposto: se ela está num ponto de ônibus, é porque o que a aflinge é a demora de sua condução.
Então surge uma outra questão: para onde irás?
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Em tudo há poesia, só depende de quem enxerga.

peace and love

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